Angioplastia de carótida: quando é indicada para prevenir AVC

Grande parte dos AVCs não acontece por acaso. Uma parcela importante deles começa no pescoço, numa artéria chamada carótida, que vai sendo estreitada por placas de gordura durante anos, sem dar sinal.

Isso significa que muitos AVCs podem ser prevenidos. Quando a estenose de carótida é descoberta a tempo, a angioplastia de carótida permite desobstruir a artéria por cateter, sem corte no pescoço, e reduzir o risco de AVC.

Neste artigo, o Dr. Paulo Gasparetto, cirurgião vascular em Londrina, explica quando a angioplastia de carótida é indicada, como ela é feita e quais sinais exigem atenção imediata.

O que é estenose de carótida

As carótidas são duas artérias, uma de cada lado do pescoço, que levam sangue do coração para o cérebro. Estenose quer dizer estreitamento.

A estenose de carótida acontece quando placas de gordura e cálcio se acumulam na parede da artéria, um processo chamado aterosclerose. A placa diminui a passagem do sangue e, principalmente, pode soltar pequenos fragmentos que sobem para o cérebro e entopem vasos menores. É assim que muitos AVCs acontecem.

ilustração de placa de gordura estreitando a artéria carótida

O grau de estreitamento é medido em porcentagem. Uma estenose de 70% significa que a passagem do sangue foi reduzida em 70% naquele ponto. Esse número, junto com a presença ou não de sintomas, é o que orienta o tratamento.

Fatores de risco

  • Idade acima de 60 anos
  • Tabagismo
  • Pressão alta
  • Colesterol alto
  • Diabetes
  • Doença nas artérias do coração ou das pernas
  • Histórico de AVC ou de AIT (o "mini AVC")

Sintomas da estenose de carótida

Na maioria das pessoas, a estenose de carótida não causa nenhum sintoma até que algo grave aconteça. O primeiro sinal pode ser um AIT ou o próprio AVC.

O AIT, o "mini AVC", é um alerta

O AIT (ataque isquêmico transitório) tem os mesmos sintomas do AVC, mas eles desaparecem sozinhos em minutos ou poucas horas. Muita gente ignora porque "passou". É um erro perigoso: o AIT indica alto risco de um AVC de verdade nos dias e semanas seguintes. Fique atento a:

  • Fraqueza ou dormência súbita no rosto, braço ou perna de um lado do corpo
  • Boca torta ou dificuldade para sorrir
  • Dificuldade para falar ou entender o que os outros dizem
  • Perda súbita da visão de um olho, como uma cortina descendo, que volta depois de alguns minutos

Quem teve qualquer um desses sintomas, mesmo que tenham passado, deve ser avaliado com urgência.

Sinais de AVC: ligue 192

Para reconhecer um AVC, use o teste SAMU:

  • Sorriso: peça para a pessoa sorrir. A boca fica torta?
  • Abraço: peça para levantar os dois braços. Um deles cai ou não sobe?
  • Música: peça para cantar ou repetir uma frase. A fala está enrolada ou estranha?
  • Urgente: se houver qualquer um desses sinais, ligue imediatamente para o SAMU (192) e anote o horário em que começou.

No AVC, cada minuto conta. O tratamento feito nas primeiras horas pode evitar sequelas.

Quem deve investigar as carótidas

Não é preciso fazer exame de carótida em todo mundo. A investigação é indicada principalmente para:

  • Quem teve AIT, AVC ou perda passageira da visão de um olho
  • Quem tem doença nas artérias das pernas ou do coração
  • Quem vai fazer cirurgia cardíaca, como ponte de safena
  • Pessoas acima de 65 anos com vários fatores de risco, como tabagismo, pressão alta, diabetes e colesterol alto
  • Quem tem um sopro na carótida percebido pelo médico ao auscultar o pescoço

Quem tem placas em uma artéria costuma ter em outras. Por isso, pacientes com aneurisma de aorta ou entupimento nas pernas também merecem atenção às carótidas.

Como é feito o diagnóstico

O principal exame é o ultrassom Doppler de carótidas. Ele é rápido, indolor, não usa radiação e mostra se há placa, onde ela está e qual o grau de estreitamento.

Quando o Doppler mostra uma estenose importante, o médico pode pedir uma angiotomografia ou angiorressonância. Esses exames confirmam o grau e mostram a anatomia das artérias, o que é essencial para planejar o tratamento.

Como é o tratamento da estenose de carótida

Todo paciente com estenose de carótida faz tratamento clínico, e alguns precisam também de um procedimento para desobstruir a artéria.

Tratamento clínico, para todos

  • Medicação para "afinar" o sangue e evitar que se formem coágulos na placa
  • Remédio para o colesterol, que também ajuda a estabilizar a placa
  • Controle rigoroso da pressão e do diabetes
  • Parar de fumar

Quando a angioplastia de carótida é indicada

A decisão depende do grau de estreitamento e de a pessoa já ter tido sintomas:

  • Quem já teve AIT ou AVC ligado àquela carótida e tem estreitamento a partir de 50%: o procedimento costuma ser indicado e, de preferência, nas primeiras semanas após o sintoma
  • Quem nunca teve sintomas e tem estreitamento a partir de 70%: o procedimento pode ser indicado em casos selecionados, avaliando idade, saúde geral e risco de cada paciente

Como é feita a angioplastia de carótida

stent aberto dentro da artéria carótida após angioplastia

É o tratamento endovascular. Por um pequeno acesso na virilha ou no punho, o cirurgião vascular leva um cateter até a carótida, guiado por raio-X. Um filtro de proteção é posicionado para segurar fragmentos que possam se soltar, e um stent (uma pequena malha metálica) é aberto no ponto estreitado, devolvendo a passagem do sangue.

Não há corte no pescoço, a anestesia é local e a internação costuma ser de um dia.

Endarterectomia

É a cirurgia convencional. Por um corte no pescoço, o cirurgião abre a carótida e retira a placa, fechando a artéria em seguida. É uma técnica consagrada e, em muitos casos, a primeira escolha.

Angioplastia ou endarterectomia?

Angioplastia com stentEndarterectomia
AcessoCateter pela virilha ou punhoCorte no pescoço
AnestesiaLocalGeral ou bloqueio regional
InternaçãoGeralmente 1 diaGeralmente 1 a 2 dias
Volta às atividadesPoucos diasCerca de 1 a 2 semanas
Pode ser melhor paraPescoço já operado ou irradiado, placa em posição difícil, risco alto para cirurgiaPacientes mais idosos com artérias tortuosas ou muito calcificadas, entre outros

A escolha é individual e feita a partir dos exames, da anatomia das artérias e da saúde geral do paciente.

Recuperação depois da angioplastia de carótida

Depois da angioplastia com stent, o paciente fica em observação e costuma ter alta no dia seguinte. Atividades leves são retomadas em poucos dias. Por um período definido pelo médico, ele usa medicação para evitar a formação de coágulos dentro do stent, e não deve interromper esse remédio por conta própria.

Riscos e possíveis complicações

O objetivo do tratamento é reduzir o risco de AVC no futuro, e esse benefício é maior que os riscos quando a indicação é correta. Ainda assim, todo procedimento tem riscos, que são explicados antes da decisão:

  • AVC durante ou logo após o procedimento: é a complicação mais importante, pouco frequente, e é a razão de a indicação ser tão criteriosa
  • Hematoma no local da punção ou, na cirurgia, no pescoço
  • Infarto, mais comum em pacientes com doença no coração
  • Alteração passageira da pressão e dos batimentos logo após a angioplastia
  • Na endarterectomia, rouquidão ou alteração passageira na língua, por irritação de nervos do pescoço
  • Novo estreitamento da artéria com o passar dos anos

Acompanhamento

Depois do tratamento, o paciente repete o Doppler de carótidas no primeiro mês, depois em 6 meses e a partir daí uma vez por ano. O tratamento clínico continua por toda a vida, porque a aterosclerose não acontece só naquela artéria.

Como prevenir a estenose de carótida

A mesma rotina que protege o coração protege as carótidas:

  • Não fumar, ou parar de fumar
  • Manter a pressão abaixo da meta indicada pelo seu médico
  • Controlar o colesterol e o diabetes
  • Praticar atividade física regular
  • Manter o peso saudável e uma alimentação com menos gordura e sal

Por que procurar um cirurgião vascular

O cirurgião vascular é o especialista que acompanha a estenose de carótida e realiza tanto a angioplastia quanto a endarterectomia, avaliando qual é a mais segura para cada paciente.

O Dr. Paulo Gasparetto realiza procedimentos endovasculares como angioplastias e implante de stents, e trata a aterosclerose nas carótidas, na aorta e nas artérias das pernas. O planejamento é sempre feito em conjunto com o cardiologista ou neurologista do paciente, quando houver.

Agende sua avaliação em Londrina

Se você teve algum sintoma passageiro como os descritos acima, tem um Doppler que mostrou placa na carótida ou reúne vários fatores de risco, agende uma consulta com o Dr. Paulo Gasparetto. Na consulta, ele avalia seus exames, mede seu risco de AVC e explica se o seu caso pede acompanhamento ou tratamento.

Atendimento particular e por convênios, incluindo Unimed e Hospitalar.

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Se os sintomas estiverem acontecendo agora, não espere a consulta: ligue 192.

Perguntas frequentes sobre angioplastia de carótida

O que é angioplastia de carótida?

É um procedimento feito por cateter que desobstrui a artéria carótida com a colocação de um stent, sem corte no pescoço. O objetivo é prevenir o AVC em quem tem a artéria estreitada por placas de gordura.

Carótida entupida dá sintomas?

Na maioria das vezes, não. O primeiro sinal pode ser um AIT (mini AVC) ou o próprio AVC, por isso quem tem fatores de risco deve ser avaliado.

Qual exame mostra entupimento da carótida?

O ultrassom Doppler de carótidas. Quando necessário, a angiotomografia ou a angiorressonância completam a avaliação.

Com quanto de entupimento a carótida precisa ser operada?

Em geral, a partir de 50% em quem já teve AIT ou AVC, e a partir de 70% em casos selecionados de quem nunca teve sintomas. A decisão é individual.

A angioplastia de carótida tem corte?

Não. Ela é feita por cateter, por um pequeno acesso na virilha ou no punho, com anestesia local.

Quanto tempo de recuperação depois da angioplastia de carótida?

A alta costuma acontecer no dia seguinte, e atividades leves são retomadas em poucos dias.

O stent de carótida pode entupir de novo?

Pode acontecer, mas é pouco comum. Por isso o paciente faz Doppler de controle e mantém o tratamento clínico.

Tive um AIT e os sintomas passaram. Preciso me preocupar?

Sim. O AIT é um alerta de alto risco de AVC nos dias seguintes e deve ser investigado com urgência.

O Dr. Paulo atende pela Unimed?

Sim. Ele atende particular e por convênios, incluindo Unimed e Hospitalar.

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Sobre

O blog do Dr. Paulo Gasparetto é um espaço dedicado à saúde e estética das pernas, trazendo informações confiáveis sobre varizes, circulação, tratamentos modernos e cuidados para manter pernas bonitas e saudáveis. Com uma abordagem clara e acessível, o Dr. Paulo compartilha dicas, novidades e orientações para quem busca bem-estar e qualidade de vida

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