A maioria das pessoas com pressão alta controla o problema com um ou dois remédios. Mas existe um grupo que toma três, quatro medicamentos e a pressão continua subindo. Em parte desses pacientes, a causa não está no coração nem no estilo de vida: está numa artéria estreitada que leva sangue para o rim.
Esse problema se chama estenose da artéria renal. Quando é identificado, pode ser tratado, e em casos selecionados a angioplastia devolve a circulação ao rim por cateter, sem cirurgia aberta.
Neste artigo, o Dr. Paulo Gasparetto, cirurgião vascular em Londrina, explica quais sinais levantam a suspeita, como é feito o diagnóstico e em quais situações a angioplastia realmente ajuda.
O que é estenose da artéria renal
Cada rim recebe sangue por uma artéria que sai da aorta, no abdome: a artéria renal. Estenose quer dizer estreitamento.
Quando essa artéria se estreita, o rim passa a receber menos sangue e "entende" que a pressão do corpo está baixa. Para corrigir, ele libera hormônios que fazem a pressão subir. O resultado é uma pressão alta difícil de controlar, chamada hipertensão renovascular.
Com o tempo, a falta de sangue também pode prejudicar o próprio rim, que vai perdendo função e até diminuindo de tamanho.
Principais causas
São duas causas bem diferentes, que atingem pessoas diferentes e têm tratamentos diferentes:
| Aterosclerose | Displasia fibromuscular | |
|---|---|---|
| O que é | Placas de gordura e cálcio na parede da artéria | Alteração na estrutura da parede da artéria, sem relação com gordura |
| Frequência | Responsável pela grande maioria dos casos | Bem menos comum |
| Quem costuma ter | Pessoas acima de 55 anos, fumantes, com diabetes, colesterol alto ou aterosclerose em outras artérias | Principalmente mulheres jovens, entre 15 e 50 anos |
| Onde fica o estreitamento | No começo da artéria, perto da aorta | No meio da artéria, com aspecto de "colar de contas" no exame |
| Tratamento principal | Remédios; angioplastia com stent em casos selecionados | Angioplastia com balão, geralmente sem stent |
Sinais de alerta
A estenose da artéria renal quase nunca causa dor ou sintoma próprio. O que chama atenção é o comportamento da pressão e dos rins. Vale investigar quando aparece um ou mais destes sinais:
- Pressão alta resistente: continua alta mesmo com três ou mais remédios, em doses adequadas, incluindo um diurético
- Pressão que piora de repente em quem já tinha a pressão controlada
- Pressão alta que começa muito cedo, antes dos 30 anos, ou de forma forte depois dos 55
- Piora da função dos rins depois de começar remédios para pressão como enalapril, captopril, losartana ou similares
- Falta de ar súbita por acúmulo de líquido no pulmão (o chamado edema agudo de pulmão), sem causa no coração que explique
- Um rim menor que o outro em ultrassom ou tomografia, sem motivo aparente
- Sopro na barriga, percebido pelo médico ao auscultar o abdome
- Aterosclerose em outras artérias, como coração, carótidas ou pernas
Pressão alta comum ou causada pela artéria renal?
Na maioria das pessoas, a pressão alta é "primária": não tem uma causa única que possa ser corrigida. A estenose da artéria renal é uma das causas "secundárias", que vale a pena procurar porque muda o tratamento.
| Pressão alta comum | Pressão alta pela artéria renal | |
|---|---|---|
| Como começa | Aos poucos, geralmente entre 30 e 55 anos | Antes dos 30, depois dos 55 ou com piora súbita |
| Controle | Costuma melhorar com 1 ou 2 remédios | Continua alta mesmo com 3 ou mais remédios |
| Função dos rins | Estável por muitos anos | Pode piorar, principalmente após certos remédios de pressão |
| Outros sinais | Raros | Edema de pulmão súbito, rim menor, sopro na barriga |
| Histórico na família | Comum | Nem sempre presente |
Por que esse problema passa despercebido
A pressão alta é muito comum, e a tendência natural é tratá-la acrescentando mais um remédio a cada consulta, sem procurar uma causa. Os sintomas do rim também são silenciosos: a função renal cai aos poucos e só aparece em exames de sangue.
Por isso, muitos pacientes passam anos tomando vários medicamentos antes de alguém investigar as artérias dos rins. Se você toma três ou mais remédios e a pressão não baixa, vale perguntar ao seu médico se a causa já foi investigada.
Como é feito o diagnóstico
- Ultrassom Doppler das artérias renais: é o primeiro exame. Mostra a velocidade do sangue nas artérias dos rins e o tamanho de cada rim, sem radiação e sem contraste.
- Angiotomografia ou angiorressonância: confirmam o estreitamento, mostram onde ele fica e ajudam a planejar o tratamento. Em quem já tem a função dos rins reduzida, o tipo de exame e o contraste são escolhidos com cuidado.
- Exames de sangue e urina: avaliam a função dos rins antes e depois do tratamento.
A arteriografia, feita por cateter, normalmente é usada no mesmo momento da angioplastia, para confirmar a medida exata do estreitamento.
Como é o tratamento da estenose da artéria renal
Tratamento clínico, para todos
Na estenose por aterosclerose, a base do tratamento são os remédios: controle da pressão, remédio para o colesterol, medicação para "afinar" o sangue, controle do diabetes e parar de fumar. Estudos grandes mostraram que, para muitos pacientes, o tratamento clínico bem feito controla a pressão tão bem quanto o stent.
Por isso, a angioplastia não é indicada para todo mundo que tem a artéria estreitada. Ela é reservada para quem realmente se beneficia.
Quando a angioplastia de artéria renal é indicada
- Displasia fibromuscular com pressão alta: a angioplastia com balão costuma trazer ótimo resultado e, em muitos casos, a pressão normaliza
- Edema agudo de pulmão repetido, sem outra causa
- Pressão alta que segue descontrolada mesmo com o tratamento clínico otimizado
- Perda rápida da função dos rins atribuída ao estreitamento
- Pacientes que não toleram os remédios necessários para controlar a pressão
Como é feita a angioplastia de artéria renal
Por um pequeno acesso na virilha ou no braço, o cirurgião vascular leva um cateter até a artéria renal, guiado por raio-X. No ponto do estreitamento, um balão é inflado para abrir a artéria.
Na aterosclerose, como a placa fica no começo da artéria, um stent (pequena malha metálica) é implantado para mantê-la aberta. Na displasia fibromuscular, geralmente o balão sozinho resolve, sem necessidade de stent.
Não há corte na barriga, a anestesia é local com sedação e a internação costuma ser de um dia.
E a cirurgia aberta?
Hoje ela é pouco usada e fica reservada para casos específicos, como quando a anatomia não permite a angioplastia ou quando é preciso operar a aorta ao mesmo tempo.
Recuperação depois da angioplastia
A alta costuma acontecer no dia seguinte. Atividades leves são retomadas em poucos dias. Nas primeiras semanas, a pressão é acompanhada de perto, porque muitas vezes ela cai e os remédios precisam ser ajustados ou reduzidos. Depois do stent, o paciente usa medicação para evitar coágulos pelo período indicado pelo médico.
O que esperar do resultado
- Na displasia fibromuscular, a chance de a pressão melhorar muito ou até normalizar é alta, principalmente em pessoas jovens.
- Na aterosclerose, o objetivo costuma ser controlar melhor a pressão com menos remédios, proteger a função dos rins e evitar novos episódios de edema de pulmão. A maioria dos pacientes continua precisando de alguma medicação.
Riscos e possíveis complicações
Como todo procedimento, a angioplastia tem riscos, que são explicados antes da decisão:
- Hematoma ou sangramento no local da punção
- Piora da função dos rins pelo contraste ou por pequenos fragmentos de placa que se soltam, principalmente em quem já tem doença renal
- Lesão da artéria durante o procedimento, que pode exigir tratamento no mesmo momento
- Novo estreitamento da artéria com o tempo, que pode precisar de nova angioplastia
Acompanhamento
Depois do tratamento, o paciente faz controle da pressão, exames de sangue para avaliar os rins e Doppler das artérias renais periodicamente, geralmente no primeiro mês, em 6 meses e depois uma vez por ano. O acompanhamento com o cardiologista ou nefrologista continua normalmente.
Por que procurar um cirurgião vascular
A estenose da artéria renal fica no meio do caminho entre várias especialidades: o cardiologista e o clínico tratam a pressão, o nefrologista cuida dos rins e o cirurgião vascular avalia e trata a artéria. O ideal é que a decisão seja feita em conjunto.
O Dr. Paulo Gasparetto realiza procedimentos endovasculares como angioplastias e implante de stents nas artérias dos rins, do intestino, das carótidas e das pernas, além do tratamento de aneurisma de aorta.
Agende sua avaliação em Londrina
Se você toma três ou mais remédios e a pressão continua alta, se a sua pressão piorou de repente ou se um exame mostrou alteração nas artérias dos rins, agende uma consulta com o Dr. Paulo Gasparetto. Na consulta, ele avalia seus exames, indica a investigação certa e explica se o seu caso se beneficia da angioplastia.
Atendimento particular e por convênios, incluindo Unimed e Hospitalar.
Agendar consulta para investigar minha pressão alta
Se tiver falta de ar súbita, dor no peito ou pressão muito alta com dor de cabeça forte, não espere a consulta: procure o pronto-socorro ou ligue 192.
Perguntas frequentes sobre estenose da artéria renal
O que é estenose da artéria renal?
É o estreitamento da artéria que leva sangue ao rim. Ela pode causar pressão alta difícil de controlar e, com o tempo, prejudicar a função do rim.
Pressão alta que não baixa com remédio pode ser problema no rim?
Pode. Quando a pressão continua alta mesmo com três ou mais remédios, uma das causas a investigar é o estreitamento das artérias dos rins.
Qual exame detecta estenose da artéria renal?
O ultrassom Doppler das artérias renais é o primeiro exame. A angiotomografia ou a angiorressonância confirmam o diagnóstico.
Toda estenose da artéria renal precisa de angioplastia?
Não. Na aterosclerose, muitos pacientes se controlam bem só com remédios. A angioplastia é indicada em casos selecionados, como pressão descontrolada apesar do tratamento, edema de pulmão súbito ou perda rápida da função dos rins.
A angioplastia de artéria renal cura a pressão alta?
Na displasia fibromuscular, a pressão costuma melhorar muito e às vezes normaliza. Na aterosclerose, o objetivo é controlar melhor a pressão com menos remédios e proteger os rins.
A angioplastia de artéria renal tem corte?
Não. Ela é feita por cateter, por um pequeno acesso na virilha ou no braço, com anestesia local e internação de cerca de um dia.
O que é displasia fibromuscular?
É uma alteração na parede da artéria que não tem relação com gordura. É mais comum em mulheres jovens e costuma responder muito bem à angioplastia com balão.
O Dr. Paulo atende pela Unimed?
Sim. Ele atende particular e por convênios, incluindo Unimed e Hospitalar.


